Olá Pessoal ! Aqui estou eu mais de um ano depois de ter criado esse blog e postado meu primeiro artigo. Apesar da correria do dia a dia prometo que agora as postagens serão mais frequentes.
Bem, vamos lá ! Mais um capítulo referentes à história das Tecnologias de Automação de Crédito e Gestão de Risco no Brasil.
Hoje em dia a maioria dos Bancos e muitas Empresas já possuem sistemas que controlam o fluxo de originação, análise a aprovação de crédito. Mas antigamente não era assim.
Estas tecnologias começaram a ser disseminadas neste mercado no início da década de 90, alguns anos depois do início da utilização dos Sistemas Especialistas e Redes Neurais, que descrevi no post anterior.
Naquela época, as chamadas Soluções de Gerenciamento de Imagens e Sistemas de Workflow só rodavam em Risc Machines, workstations caríssimas que só cabiam no budget e no apetite de inovação das grandes Instituições Financeiras.
Empresas como IBM, Unysis e CPM (que comercializava a Solução FileNet) venderam alguns projetos nesta Área para Instituições como Bradesco e Itaú.
Foi quando o Banco Sudameris Brasil, me convidou para participar de uma concorrência para um projeto integrado de Automação de Crédito, que incluiria Sistemas Especialistas (fornecidos pela SIA, antecessora da SIACorp) Workflow e Imagem que eu acordei para este mercado. Percebi que teríamos que possuir uma oferta que incluísse workflow e imagem (naquela época ninguém falava GED - Gerenciamento Eletrônico de Documentos).
Só que as soluções eram muito caras e baseadas em máquinas Risc, o que as tornava accessíveis para poucos. Perecbi que tinha que buscar uma Solução mais barata para representar no Brasil. Como na época não havia Internet, acompanhávamos as novidades do mundo da Informática através de revistas importadas como Byte, AI Expert, PC AI e Dr. Dobbs. E foi numa destas revistas que eu descobri que uma empresa do Colorado chamada Optika havia criado uma Solução de Workflow e Imagem para PCs, que já rodava em Windows 3.1.
Peguei o avião e fui lá na Optika buscar a representação daquele produto. Era o elo que faltava para poder oferecer no Brasil uma Solução Integrada de Automação de Crédito com Workflow, Gerenciamento Eletrônico de Documentos e Inteligência Artificial. Uma vez que o Sistema da Optika disponibilizava APIs (Application Program Interfaces) e o Nexpert, Shell de Sistemas Especialistas que representávamos no Brasil também, criamos a primeira Solução de Automação de Crédito totalmente integrada do Brasil, o CreditFlow ! Isto foi em 1993 !
Implantamos o CreditFlow em alguns clientes, como Banco Multiplic (cujo gestor era o meu bom amigo Luis Paulo Raeder, que depois fundou a SML) e Banco Pontual (depois vendido ao BCN, que por sua vez foi vendido ao Bradesco). Mas o custo da Solução ainda era proibitivo para muitas Instituições Financeiras.
Devido aos Royalties referentes às Soluções da Optika e Neuron Data (Nexpert), este tipo de Solução ainda não era para todos. Eu precisava eliminar a dependência destes softwares de terceiros. Foi aí que eu tomei uma decisão: Era preciso reescrever tudo aquilo from scratch, com tecnologia nacional, sem aquele monte de APIs.
Junto com meu bom amigo Luiz Lombardi, hoje dono da Web Foundations, reescrevi todo o CreditFlow em VB e SQL. E com todas as funcionalidades de Sistemas Especialistas, Workflow e GED que antes tínhamos que licenciar da Optika e da Neuron Data.
Assim sendo, em 1998, junto com o novo CreditFlow, nascia também a SIACorp. Eu já sentia há algum tempo a necessidade de desenvolver Soluções de Software totalmente nacionais e a antiga SIA era muito focada em representações de softwares importados. Aquilo não estava me fazendo feliz. Dessa forma decidimos dissolver a SIA. Meu antigo sócio e bom amigo, José Ricardo Nogueira fundou a Smarttech, focada em Soluções de CAE. E o Renaldo Nunes fundou a STI, que continuou a atuar no segmento de GED.
A nova versão do CreditFlow era muito mais moderna, leve e sobretudo tinha um preço muito mais accessível. Curiosamente, o primeiro projeto de implantação do CreditFlow desta nova fase foi no Banco Sudameris Uruguay, iniciativa do Eric Dherte, que havia conhecido a Solução que implantamos no Sudameris Brasil e quando assumiu a Diretoria Administrativa no Uruguay resolveu implantar o Sistema lá também.
Aí não parou mais. O CreditFlow foi implantado em dezenas de Instituições Financeiras e diversas Empresas de Setores como Óleo e Gás (como a Petrobrás) e Agronegócio (como a Bunge, Agropalma e outras). A versão atual foi desenvolvida em C# e funciona com Bancos de dados SQL 2005 ou 2008, além de estar totalmente integrado ao SharePoint.
Bem, é isso aí pessoal ! Por hoje vou ficando por aqui. No próximo artigo vou falar sobre como as tecnologias de gestão de risco foram agregadas a estes processos em função da chegada de Basiléia 2. Até lá !
sábado, 2 de outubro de 2010
sábado, 18 de julho de 2009
A Evolução das Tecnologias de Automação de Crédito (Parte 1)
Que Responsabilidade ! Este é o primeiro artigo do Blog que resolvi criar para compartilhar idéias e informações sobre Automação de Crédito e Gestão de Risco. Depois de ficar meia hora olhando para a tela do computador tentando decidir qual seria o meu primeiro artigo resolvi começar do começo: Falar um pouco sobre como comecei a atuar nestas Áreas, remontando às origens, aos primeiros projetos de análise automatizada de crédito desenvolvidos no Brasil.
Tudo começou com o fim da reserva de mercado de Infiormática no Brasil, em meados dos anos 80. Até aquele momento, desde os 15 anos, eu me dedicava obstinadamente à Eletrônica, até hoje uma das minhas grandes paixões.
Como técnico em eletrônica entrei na IBM, meu primeiro emprego, para consertar perfuradoras de cartão 029 (alguém lembra ou não eram nem nascidos ?) e como Engenheiro Eletrônico desenvolvi vários projetos de hardware e firmware para Controle de Processos na finada Microlab, um dos ícones da reserva de mercado nos anos 70 e 80.
Com o fim da reserva rapidamente percebi que não haveria mais tanto espaço para projetistas de circuitos eletrônicos no Brasil e resolvi que era hora de mudar de Área.
Nesta época estava voltando da Espanha, onde havia começado a me envolver em projetos na Área de Inteligência Artificial e acabei me juntando a um dos primeiros grupos a atuar nesta área aqui no Brasil, liderado pelo professor Emanuel Lopes Passos, do Instituto Militar de Engenharia (IME) no Rio. O outro grupo era liderado aqui em São Paulo por Edson Fregni, que fundou a Spectrum depois de vender a Scopus ao Bradesco.
No grupo do Emanuel tive o prazer de trabalhar com Evandro Lorenzoni e Marilson Campos, hoje donos da ActiveTools. Evandro escolheu como tese de mestrado desenvolver o primeiro software Gerador de Sistemas Especialistas (Shell) do Brasil e que mais tarde viria a ser comercializado pela Empresa do Emanuel, a legendária Tecsis, com o nome de PATER.
Basicamente os Shells eram ferramentas compostas por um Editor de Regras e um algoritmo denominado Motor de Inferência, que capturava os dados de entrada e processava as regras de negócio, chegando a um resultado.
Nesta época a PriceWaterhouse (antes do Coopers) se tornou distribuidora do PATER e Sérgio Losinsky, sócio responsável por novas tecnologias pediu ao Emanuel para indicar alguém para atuar como consultor na Área de Inteligência Artificial. E aí eu fui para a Price.
Na Price comecei a explorar as oportunidades de aplicação de Inteligência Artifical no mundo dos negócios e o que nesta época estava começando a despontar era exatamente a utilização de Sistemas Especialistas e Redes Neurais em Análise de Crédito. Após desenvolver os primeiros protótipos comecei a visitar os primeiros potenciais clientes.
Alguns grandes Bancos, tinham suas próprias equipes de Inteligência Artificial atuando no desenvolvimento de Sistema Especialistas. O Itaú por exemplo, com sua equipe liderada pelo Erik, utilizava os Shells ESE e KT da IBM, que rodavam em mainframe.
Eu na Price e o Mário Magalhães (hoje no Unibanco) na Arthur Andersen (antes de virar Accenture) tínhamos a desafiante meta de vender Sistemas Especialistas em Análise de Crédito para os principais Bancos do país. Nesta época, o Mário conseguiu vender o primeiro Sistema Especialista em Análise de Crédito do país (escrito em AION - Um Shell americano concorrente do PATER) para o extinto Banco Econômico e a Price resolveu me alocar em outros projetos de consultoria em tecnologia, uma vez que vender Inteligência Artificial no Brasil naquela época era um verdadeiro trabalho de evangelização e acabou levando muito mais tempo do que o previsto.
Percebendo que eu estava visivelmente infeliz na nova função, o Emanuel me chamou para assumir uma das Diretorias da Tecsis e aí a coisa decolou: vendemos e implantamos Sistemas Especialistas em Análise de Crédito para Grandes Instituições Financeiras como o Unibanco, Banco do Brasil e Bradesco, todos implementados em PATER.
Estava iniciada a era de implantação dos primeiros Sistemas Especialistas em Análise de Crédito no Brasil com tecnologia totalmente nacional. Hoje ninguém mais usa Shells para construir estes tipos de aplicação. Com a modernização dos ambientes de desenvolvimento visuais, e a integração de recursos de programação orientada a objetos às ferramentas, atualmente estas aplicações são desenvolvidas diretamente em C#, VB ou Java.
No próximo artigo falarei sobre a utilização das tecnologias de Processamento de Imagens e Workflow em Automação de Crédito. Até lá !
Tudo começou com o fim da reserva de mercado de Infiormática no Brasil, em meados dos anos 80. Até aquele momento, desde os 15 anos, eu me dedicava obstinadamente à Eletrônica, até hoje uma das minhas grandes paixões.
Como técnico em eletrônica entrei na IBM, meu primeiro emprego, para consertar perfuradoras de cartão 029 (alguém lembra ou não eram nem nascidos ?) e como Engenheiro Eletrônico desenvolvi vários projetos de hardware e firmware para Controle de Processos na finada Microlab, um dos ícones da reserva de mercado nos anos 70 e 80.
Com o fim da reserva rapidamente percebi que não haveria mais tanto espaço para projetistas de circuitos eletrônicos no Brasil e resolvi que era hora de mudar de Área.
Nesta época estava voltando da Espanha, onde havia começado a me envolver em projetos na Área de Inteligência Artificial e acabei me juntando a um dos primeiros grupos a atuar nesta área aqui no Brasil, liderado pelo professor Emanuel Lopes Passos, do Instituto Militar de Engenharia (IME) no Rio. O outro grupo era liderado aqui em São Paulo por Edson Fregni, que fundou a Spectrum depois de vender a Scopus ao Bradesco.
No grupo do Emanuel tive o prazer de trabalhar com Evandro Lorenzoni e Marilson Campos, hoje donos da ActiveTools. Evandro escolheu como tese de mestrado desenvolver o primeiro software Gerador de Sistemas Especialistas (Shell) do Brasil e que mais tarde viria a ser comercializado pela Empresa do Emanuel, a legendária Tecsis, com o nome de PATER.
Basicamente os Shells eram ferramentas compostas por um Editor de Regras e um algoritmo denominado Motor de Inferência, que capturava os dados de entrada e processava as regras de negócio, chegando a um resultado.
Nesta época a PriceWaterhouse (antes do Coopers) se tornou distribuidora do PATER e Sérgio Losinsky, sócio responsável por novas tecnologias pediu ao Emanuel para indicar alguém para atuar como consultor na Área de Inteligência Artificial. E aí eu fui para a Price.
Na Price comecei a explorar as oportunidades de aplicação de Inteligência Artifical no mundo dos negócios e o que nesta época estava começando a despontar era exatamente a utilização de Sistemas Especialistas e Redes Neurais em Análise de Crédito. Após desenvolver os primeiros protótipos comecei a visitar os primeiros potenciais clientes.
Alguns grandes Bancos, tinham suas próprias equipes de Inteligência Artificial atuando no desenvolvimento de Sistema Especialistas. O Itaú por exemplo, com sua equipe liderada pelo Erik, utilizava os Shells ESE e KT da IBM, que rodavam em mainframe.
Eu na Price e o Mário Magalhães (hoje no Unibanco) na Arthur Andersen (antes de virar Accenture) tínhamos a desafiante meta de vender Sistemas Especialistas em Análise de Crédito para os principais Bancos do país. Nesta época, o Mário conseguiu vender o primeiro Sistema Especialista em Análise de Crédito do país (escrito em AION - Um Shell americano concorrente do PATER) para o extinto Banco Econômico e a Price resolveu me alocar em outros projetos de consultoria em tecnologia, uma vez que vender Inteligência Artificial no Brasil naquela época era um verdadeiro trabalho de evangelização e acabou levando muito mais tempo do que o previsto.
Percebendo que eu estava visivelmente infeliz na nova função, o Emanuel me chamou para assumir uma das Diretorias da Tecsis e aí a coisa decolou: vendemos e implantamos Sistemas Especialistas em Análise de Crédito para Grandes Instituições Financeiras como o Unibanco, Banco do Brasil e Bradesco, todos implementados em PATER.
Estava iniciada a era de implantação dos primeiros Sistemas Especialistas em Análise de Crédito no Brasil com tecnologia totalmente nacional. Hoje ninguém mais usa Shells para construir estes tipos de aplicação. Com a modernização dos ambientes de desenvolvimento visuais, e a integração de recursos de programação orientada a objetos às ferramentas, atualmente estas aplicações são desenvolvidas diretamente em C#, VB ou Java.
No próximo artigo falarei sobre a utilização das tecnologias de Processamento de Imagens e Workflow em Automação de Crédito. Até lá !
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